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A grande polêmica das Session IPA

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O mercado cervejeiro em geral está expandindo, inclusive no Brasil (graças a Deus!). Junto, aparecem uma série de discussões e polêmicas. Dentre elas estão as Session IPA. Hoje trazemos um texto a respeito derivado do site Bebendo Bem.

Com o crescimento do mundo cervejeiro o cenário vai se expandindo em fases, cada uma com características peculiares. Porém algumas coisas parecem não mudar muito. Uma delas é que as IPAs caíram no gosto da galera por conta de suas características, como o amargor, doses agradáveis de malte e maior teor alcoólico. Tanto que é um dos tipos que os cervejeiros artesanais mais buscam fazer.

Essa popularidade causou alterações nesse estilo originário da Inglaterra. O renascimento do cenário cervejeiro americano, junto com seus lúpulos, criaram as AIPA – American India Pale Ale, mais cítricas e menos amargas.

As Session IPA são cervejas projetadas para serem consumidas em grandes quantidades (“sessionables”). Por isso, elas possuem um teor alcoólico mais baixo e um corpo mais leve. O objetivo dos cervejeiros é manter a intensidade aromática e de amargor das IPAs normais sem desbalancear o conjunto menos maltado.

No entanto, o conceito dessas cervejas tem sido muito criticado lá fora. A começar pelo conceito de “sessionable beers”. Enquanto alguns especialistas defendem que as sessions devem ficar abaixo dos 4% ABV (teor alcoólico) para que o consumidor consiga manter a compostura depois de vários copos. Além disso, analisando o mercado brasileiro de sessions, os preços delas ficam na mesma faixa ou até mais caras que a média das cervejas artesanais, o que pode não ser considerado um bom negócio.

Outra forte crítica é o fato de que IPAs, por conceito e por estilo, não seriam sessionable. Ora, se levarmos em consideração que as IPAs são versões mais potentes das pale ales, a crítica faz sentido, pois diminuindo o teor alcoólico e a lupulagem de uma IPA, ela se torna uma pale ale. Podemos também levar em conta o poder mercadológico do estilo. Certamente, o apelo popular do lançamento de uma cerveja caracterizada como IPA seria mais interessante para a cervejaria do que lançar uma Pale Ale. Nesse caso, é o marketing falando mais alto (para complementar esse pensamento, recomendo os textos do Joe Sixpack e do Stephen Beaumont sobre o hype das IPAs no mercado artesanal).

Incentivo ao consumo, marketing, incorreções estilísticas… Parece até que estamos falando do que tanto criticamos nas grandes cervejarias. Mas é o que as sessions representam, se analisarmos um pouco mais profundamente.

A verdade é que as Session IPAs são, mais que uma tendência, uma realidade do mercado. Há quem comemore a sua existência, mas também é uma preocupação em alguns casos. Exemplificando: a Wäls e a Urbana acabaram de lançar uma Session IPA Saison de 4% ABV e 23 IBU. A cerveja pode ter ficado uma delícia, mas fica a impressão de que o “IPA” ficou gratuito na sua descrição. Alguém consegue conceber uma IPA com baixo amargor? Além disso, chamar uma cerveja de Saison IPA pode confundir o consumidor, que simplesmente nem imagina o que esperar da cerveja pelo rótulo.

Enfim, que a cerveja seja boa, afinal, é o que importa. Mas isso não impede que as cervejarias avaliem melhor a forma de categorizar seus produtos, sob pena de vermos “Frankensteins” estilísticos nas prateleiras em nome da “criatividade”. Ou, quem sabe, deixar o hype das IPA’s de lado e fazer session beers de verdade, como uma boa helles, ou mesmo, uma “fucking pale ale”.

 

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Médico veterinário, professor universitário e consultor técnico no setor de alimentos, roqueiro e apaixonado por cerveja. Em constante busca de novas experiências, boas risadas e cervejas. Gosta de ler, fissurado em Bernard Cornwell, carros, esportes, cinema e amigos. Curte um som desde Pink Floyd, Metallica, Green Day e Offspring, Sempre buscando respostas para os grandes mistérios do universo, como "Por que o Pato Donald sai de toalha do banho, mas não usa calças?"

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